O cuidado com o diabetes tipo 1 não acontece apenas nos hospitais. Ele acontece todos os dias, dentro de casa, com uma rotina intensa e exaustiva que recai principalmente sobre as mães.
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais concluiu, nesta quarta-feira (25/03), a aprovação do Projeto de Lei nº 2.621/2024, de autoria da deputada estadual Maria Clara Marra. A proposta cria a Política Estadual de Apoio às chamadas mães pâncreas e segue agora para sanção.
O projeto reconhece o papel central dessas mães no cuidado de crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 e estabelece diretrizes para ampliar o apoio do Estado às famílias mineiras.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de adultos com diabetes aumentou 135% entre 2006 e 2024, segundo o Vigitel 2025. Além disso, o Brasil ocupa o terceiro lugar no mundo em número de crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, com quase 100 mil jovens que dependem de insulina diariamente, de acordo com o Atlas da Federação Internacional de Diabetes.
Diabetes tipo 1 exige cuidado contínuo e apoio do Estado
Embora represente uma parcela menor dos casos, o diabetes tipo 1 exige cuidado contínuo e altamente técnico.
O diabetes tipo 1 é uma doença crônica em que o organismo deixa de produzir insulina, hormônio responsável por controlar a glicose no sangue. Sem o tratamento adequado, há risco de complicações graves.
Na rotina, isso significa monitoramento constante da glicemia, aplicação diária de insulina e atenção permanente a situações de risco, como crises de hipoglicemia.
Crianças podem precisar de quatro a seis aplicações de insulina por dia, além de medições frequentes, o que torna a rotina das famílias ainda mais desafiadora.
Na prática, esse acompanhamento é assumido, em sua maioria, pelas mães, que passam a exercer um papel permanente no controle da doença.
“O Brasil é hoje o terceiro país do mundo em número de crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. Estamos falando de quase 100 mil jovens que dependem de insulina para sobreviver. E, na prática, quem sustenta esse cuidado todos os dias são as mães, que passam a atuar como um verdadeiro órgão vital externo dos filhos”, afirma a deputada.
O projeto prevê acompanhamento multidisciplinar, com profissionais de saúde, além de apoio psicossocial às famílias, ações de educação em saúde e integração com o ambiente escolar.
Outro ponto central é a criação de um canal específico para denúncias sobre falta de insulina e insumos, um dos principais desafios enfrentados por famílias que convivem com o diabetes tipo 1.
“Esse projeto não cria privilégios. Ele garante o mínimo de suporte para quem já carrega uma responsabilidade enorme. Para essas crianças, um dia sem insulina não é um atraso burocrático. É um risco real. O Estado precisa estar presente”, acrescenta a parlamentar.
Com a aprovação em 2º turno na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o projeto segue para sanção e pode se tornar uma política pública permanente de apoio às mães pâncreas e às famílias que convivem com o diabetes tipo 1 em Minas Gerais.


